quinta-feira, 26 de março de 2015

Tenho um podcast

É de entrevistas. Tem o mesmo nome deste blog. Está no iTunes e no Soundcloud. O primeiro episódio foi com o Sam The Kid, o segundo com Moullinex e Xinobi.

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

terça-feira, 15 de julho de 2014

sexta-feira, 4 de julho de 2014

PFT

Escrevi sobre a vez em que o enorme Paul F. Tompkins me pagou uma (ou duas) Guinness em Londres para a Vice.

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Gavin e Neil

O Gavin McInnes, um dos gajos que fundaram a Vice, é basicamente um monstro, um imbecil do caraças que acha fixe dizer merdas odiosas, o tipo de pessoa que diz "political correctness gone mad" quando alguém lhe diz que ele está a ser racista, misógino, homofóbico, transfóbico ou o que quer que ele esteja a ser nesse momento. No início do mês, o gajo disse, na FOX News (sim, claro que ele passa a vida na FOX News) que os liberais adoravam adorar o Neil DeGrasse Tyson, com esta pérola pelo meio:

He talks about things like, ‘when I was young in New York I would get racially profiled when I’d go into stores,’” McInnes whined. “Back then he looked like he was in ‘The Warriors.’ He had a huge afro and a cutoff shirt and New York was a war zone. Sorry, you fit the profile.

Ora, esta é uma fotografia do Neil DeGrasse Tyson nessa altura:


Isto é uma imagem do The Warriors:


Em defesa deste argumento, era muito provável que eu também fosse culpado de o julgar pela aparência e associá-lo a um perfil de uma maneira que poderia não ser muito abonatória para ele. Claramente, perguntar-lhe-ia a que festa é que ele ia e se eu podia ir com ele, quando tudo o que ele queria fazer era ir ao Planetário ou assim.

Eli Wallach

Há quatro anos, o A.O. Scott, sobrinho do Eli Wallach, escreveu um óptimo texto sobre o tio, que morreu ontem e era um boss.

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Rian Johnson

O Rian Johnson vai escrever e realizar um Star Wars e escrever parte do seguinte (pelo menos). O gajo é incrível (apesar de eu não ir à bola com o Brothers Bloom), isto tem tudo para correr bem. Ou para acabar como o Edgar Wright no Ant-Man.

Falacidades #4

Novo episódio do meu anti-talk show, com o Gonçalo Waddington:



quarta-feira, 18 de junho de 2014

Lego Movie

O Wolf of Wall Street e o 12 Years a Slave, um filme de três horas cheio de palavrões, drogas e sexo, e um filme gráfico sobre a escravatura sem quaisquer momentos de comic relief, respectivamente, fizeram mais (mas muito mais) espectadores do que O Filme Lego (porque o Lego Movie não passou cá, passou dobrado e qualquer pessoa que o tenha visto – e não querendo entrar em spoilers – sabe o quão execrável é ter tido aquele filme falado em português por causa do que acontece lá para o final). Se calhar os adultos também gostam de ir ao cinema? Estamos a falar de um filme que foi um sucesso enorme em quase todo o mundo, campeão de bilheteiras e o caraças. Cá não. Ficou em quinto lugar, com 162.250 espectadores, para os 247.264 e os 242.093 do Wolf e do 12. Será que terá a ver com a decisão ridícula de não o passar no original? Não, nunca, é um acaso do destino, porque os filmes não vendem não é por estupidez, é porque é mesmo assim que é a vida. O Rio 2, que se estreou mais de um mês depois e só em versão dobrada (mesmo assim, Rio 2 apela mais a crianças do que a adultos, não há várias gerações que cresceram a brincar com peças de Rio; o realizador do Rio 2 é brasileiro e disse em entrevistas que a versão original era a em português do Brasil), é o campeão, com 263.032 espectadores.

Saber vender #2



Segundo um artigo do i de 2010, uma das desculpas para os nomes dos filmes em português, que são escolhidos pelos departamentos de marketing das distribuidoras, serem tão maus é legalmente não poder haver dois filmes com o mesmo nome que não sejam remakes. É ridículo, até porque existem quatro filmes chamados A Noite dos Mortos-Vivos em Portugal: o The Night of the Living Dead do Romero – o remake, corrigiu-me o Mário Valente, que foi quem me falou disto originalmente, chamou-se O Despertar dos Mortos-Vivos –, o Evil Dead do Sam Raimi e o respectivo remake. Chega-se quase sempre ao cúmulo de não se saber de que filme se está a falar se só se usar o nome português, o que dificulta em muito a tarefa de mencionar a obra em questão.

Se eu não estivesse todas as semanas atento às estreias de cinema, muitos filmes dos quais já ouvi falar ou sobre os quais li em publicações estrangeiras (qualquer pessoa que se interesse por cinema lê sobre ele em blogues, sites, revistas, jornais, o que seja) e pelos quais fiquei entusiasmado passar-me-iam ao lado por terem sido postos cá com nomes nada óbvios e que em nada reflectem aquilo que os filmes são. Pior ainda é quando o nome português extingue a razão pela qual os filmes existem originalmente.

É um lugar comum dizer-se que Hollywood não tem ideias e só faz filmes que se baseiem em material que já tenha sido testado, quer seja no cinema ou noutros formatos. Daí a profusão de sequelas, adaptações e remakes em detrimento de filmes originais. Ora, esse pensamento muitas vezes nem sequer chega a Portugal. Por exemplo, o primeiro Anchorman chamou-se, quando chegou cá em DVD, O Repórter - A Lenda de Ron Burgundy (ele é pivô, não é repórter), enquanto a sequela, que também não passou nos nossos cinemas, levou o nome Que se Lixem as Notícias (e eu já escrevi sobre isso aqui). Não há qualquer ligação entre os dois filmes, a julgar pelo nome em português, pelo que a razão que leva as pessoas ao cinema (ou, neste caso, a alugar o filme em VOD ou comprá-lo em DVD) deixa de existir. "Vou ver este filme porque é a sequela do outro".

Mais extremo ainda é o caso do 21 Jump Street. O filme existia porque era a adaptação cinematográfica de uma série de televisão do final dos anos 80 e início dos anos 90. Só por isso. Foi assim que o filme foi aprovado, a tentar apelar à nostalgia das pessoas por uma série que tinham visto há 20 anos. Ora, em Portugal levou com o título Agentes Secundários, sem qualquer ligação a Rua Jump 21 (o nome que a série tinha cá). Não é como se a série não tivesse passado cá (lembro-me perfeitamente dela e de Booker, o spin-off, em miúdo, e também me lembro de um colega de escola a achar, por causa da série, que "rua" em inglês era "Jump"). Agora a sequela vem aí e chamar-se-á Agentes Universitários. É um nome bastante genérico e se uma pessoa não soubesse que era a sequela de um filme que veio antes, o nome não ajudava nada, ou quase nada.

Até porque ninguém que goste de filmes, nos últimos anos, conhece os filmes pelo nome português, uma consequência de tantas vezes ser ridículo. Não é como se não fosse sempre assim (Os quatro Cabeleiras do Após-Calipso, o nome que o A Hard Day's Night levou cá nos anos 60 e outra lembrança do Mário, é um exemplo mas também há milhares de outros ao longo dos anos), é só que hoje é mais fácil perceber o quão ridículas estas coisas são e ficar ainda mais irritado por haver quem deixe isto passar. Afinal, não é como se o país e o sector estivesse em crise, tratar como idiotas pessoas que ainda pagam para ver filmes em sala contribuísse para isso.

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Mais ETs in da Bairro

Quando o filme saiu cá, em 2012, já o tinha em Blu-Ray, depois de ter estado farto de ouvir toda a gente a dizer bem dele. Ou seja, já o tinha visto. Mesmo assim, decidi levar a minha namorada ao cinema para o ver e mostrar que valia a pena lançar estes filmes, mesmo que ache ridículo só ter passado cá 11 meses após a estreia original. Tinha estado doente a semana inteira e só saí de casa para ver o filme. Estava todo contente e entusiasmado por poder finalmente vê-lo no cinema e não na televisão. Fiquei irritadíssimo com as legendas, obviamente, porque é algo muito complicado de ignorar. Estragou-me a experiência toda. E, mesmo assim, o Luís Zanguineto continua a ser usado para traduzir filmes. É algo que não compreendo, sinceramente.

Saber vender


Dos produtores de Zombie Party - Uma Noite... de Morte

No mês passado, Neighbors deu uma abada a The Amazing Spider-Man 2 nas bilheteiras dos Estados Unidos. Perdão, Má Vizinhança deu uma abada a O Fantástico Homem-Aranha 2: O Poder de Electro. Às vezes refiro-me aos filmes pelo nome original e não pelo nome traduzido em português. Não é por mal. Como qualquer pessoa que tenha visto um filme em Portugal nos últimos anos, sei muito bem que as pessoas que os traduzem são gente altamente inteligente, ponderada e interessada, que se esforça muito para encontrar o melhor nome possível sem desvirtuar a essência dos nomes originais, mas mesmo assim esqueço-me. Peço desculpa. Mas adiante. Um filme rendeu bastante mais do que outro, apesar das diferenças de orçamento e do quão vendáveis pareciam ambos à partida. No resto do mundo não foi bem assim. Tal acontece porque cada vez mais os estúdios americanos dependem nos resultados além-fronteiras para ter lucro, e filmes de acção são muito mais bem sucedidos do que comédias no estrangeiro que não é a América do Norte. Afinal, há muito que se perde na tradução e piadas são difíceis de perceber.


Mas…e se isto não for algo que acontece só porque é assim e pronto (estas reticências são uma referência à tendência de se darem títulos com reticências a comédias)? Se isto for um ciclo vicioso e houver uma razão para tudo ser assim além de as pessoas não gostarem de rir ou não compreenderem os americanos? Se me focar apenas no caso português, é fácil ver que, a olho e de forma pouco científica, que as comédias costumam ser os filmes com os piores títulos traduzidos, as piores campanhas e as piores legendagens. É quase como se aqueles senhores cujo trabalho árduo e dedicado gabei no parágrafo anterior não quisessem saber, porque acham que é uma luta que está perdida à partida: comédias não vendem em Portugal, por isso vamos tentar apelar ao máximo número possível de pessoas, não vamos esforçar-nos para traduzir bem o nome, não vamos sequer ver o filme e vamos dar-lhe um nome qualquer ridículo e uma campanha que passa ao lado de tudo aquilo que o filme é na verdade.

Só pode ser essa a estratégia de gente que pega no Superbad, lhe chama Super-Baldas e o vende com a pergunta “vais às aulas ou vais-te baldar?” (para relembrar, estamos a falar de um filme em que ninguém falta a uma única aula). Como é que sei que estas pessoas são gente que trabalha afincadamente e tenta encontrar as melhores soluções para vender e traduzir os filmes em Portugal? Porque, quando há uma comédia ou um filme de acção manhosa, a NOS emprega o meu tradutor favorito: Luís Zanguineto. 

Há umas semanas, fui ver o Chef, e fui deleitado com pérolas de competência e excelente compreensão do inglês nas legendas, do género “Arab Spring” ser “ares primaveris”, “people like you”, no sentido de “as pessoas como tu”, ser “as pessoas gostam de ti”, “in ’08” ser “nos anos 80”, “tacos” serem “petiscos”, entre muitas outras tiradas magistrais. Soube logo que era o trabalho do Luís Zanguineto, que descobri há uns anos, quando fui ver o primeiro Expendables (perdão, Os Mercenários, é o hábito). Foi há quatro anos, e o facto de toda a toxicodependência do Dolph Lundgren ter desaparecido nas legendas (“you’re still using”=“ainda estás utilizável”, porque se há expressão que heróis de acção usam sempre é "utilizável") fez-me ver que estava perante um grande portento da tradução (outra boa: “you’re out [of bullets]”=“estás do lado de fora”). Fui continuando a acompanhar o talento dele em filmes como o Bridesmaids (oops, A Melhor Despedida de Solteira), onde “you’re a total catch” era, afinal, “estás totalmente apanhada”, “Pixar movie” era “banda desenhada” e “gay prostitute” era “chulo” ou o The Five Year Engagement (Espera aí…que já Casamos, porque, como já vimos, nada grita “comédia” como reticências e sim, esta gente adora filmes com o dedo do Judd Apatow, tratando-os com todo o cuidado e carinho e vendendo-os da melhor maneira, como lançar o This is 40 perto do Dia dos Namorados, como se fosse um filme para jovens chamado Aguenta-te aos 40! e uma comédia romântica light para apaixonados).

Mas o meu trabalho favorito dele, se é possível apontar um, é o ETs in da Bairro, uma obra-prima se alguma vez houve uma. A começar pelo título (que não costuma ser escolhido por quem faz as legendas). O filme chama-se, no original, Attack the Block. Cá teve um título muito mais interessante e apelativo (algo que se notou no facto de ter passado só numa sala em Lisboa e ter feito milhões de espectadores), já para não dizer vagamente racista (o que é óptimo, parece como quando traduzem “bitch” por “panilas” em legendas, transformando algo que pode ser misógino em algo claramente homofóbico). No nome, “block” é no sentido de “tower block”, de uma só estrutura, não de “bairro”. A tradução o título também aparece várias vezes nas legendas: “temos de voltar ao bairro”, dizem os miúdos protagonistas quando não saem do bairro onde moram ao longo da duração do filme (eu pensava que a palavra “prédio” que, apesar de não ser a mesma coisa, serviria perfeitamente, existia, mas aprendi com esta tradução que não). Quando alguém usa "sick" no sentido de bom e inacreditável, ele traduz como "nojento". E não só, ele menciona o jornal "Guardion" e, quando os miúdos se viram para uma rapariga para dizer que ela usa demasiados palavrões, Zanguineto escreve "cala-te". Mas o melhor, mesmo, é em frases que envolvem nomes intraduzíveis. Aí, o tipo faz algo inacreditável (ou nojento). Ignora o resto das frases e escreve apenas as palavras em itálico. Como um verdadeiro boss. Ler legendas que dizem apenas "Ghostbusters", "Super Soaker" e "Fort Knox", quando há mais diálogo, é fantástico. É o tipo de coisa que eleva uma ida ao cinema, como a minha há dois anos, a uma experiência inacreditável (ou nojenta). É impossível ignorar a forma como este senhor, que continua a ter um emprego (ou é um nome que eles usam quando não pagaram a um tradutor e se metem a usar o tradutor do Google ou algo do género, também me passa essa hipótese pela cabeça), melhora os filmes em que trabalha e deixa muitos clientes satisfeitos: basta ir ao Google para encontrar queixas contra ele desde 2008.

Foi com estes erros em mente que, há uns anos, tentei contactar a ZON para entrevistar o Luís Zanguineto e fazer-lhe perguntas como "qual é a tua formação?", "como é o teu processo?" e, tendo em conta o que ele inventa, o clássico "onde é que vais buscar as ideias?" Visto eu nunca ter publicado um texto chamado "uma conversa com Luís Zanguineto", é óbvio que não consegui falar com ele.

Depois de vários mails, consegui uma resposta: "como deve calcular, não damos o contacto dos nossos colaboradores". Insisti e lá me puseram em contacto com alguém da então chamada ZON Lusomundo Audiovisuais, a empresa que distribui os filmes. Muito prontamente, ele falou comigo sobre tradução. Começou por me dizer que ele próprio encontraria exemplos de erros ainda mais graves. "Os produtores, quando estreamos os filmes ao mesmo tempo que nos Estados Unidos, não disponibilizam imagens do filme até este chegar às salas. A tradução é na maior parte das vezes feita a partir de uma lista de diálogos. Para complicar, muitas vezes o filme não fica pronto até muito perto da estreia, e só nos dão uma lista aproximada e provisória de diálogo." Isso explica certas discrepâncias, mas não justifica o que aconteceu com estes dois filmes que chegaram cá meses após a estreia original. 

No caso do Bridesmaids, quanto ao "chulo" e à "banda desenhada", o responsável explicou que foram decisões feitas por "umas seis pessoas" que acharam que, dentro do filme, não fazia diferença. "Chulo" era mais rápido do que "prostituto gay" e "banda desenhada" foi escolhido para "chegar a mais pessoas", porque nem todas poderiam saber o que é a Pixar. Sim, porque ninguém viu o Up e o Toy Story 3. Recapitulando, um comité da ZON olha para um filme, vê uma expressão facilmente traduzível e decide mudá-la, não vão pessoas abandonar um filme cheio de erros de tradução a meio por não conheceram a Pixar (e se há grupo de pessoas que não sabe o que é a Pixar é gente que vai ao cinema). De qualquer forma, o problema é ainda mais grave que apenas o Luís Zanguineto (que, já agora, também escreveu "apanhá-mo-lo" nas legendas).

Nada me move contra a NOS, ZON, ou o que seja, em geral. Só gostava que alguém quisesse saber. Porque, parecendo que não, há público que quer saber. E por muito divertido que seja falar do Luís Zanguineto, de títulos ridículos e de campanhas feitas por gente que nem sequer viu os filmes que está a tentar vender e acha que tudo o que é para fazer rir ou explodir é igual, é muito mais divertido ir ver um filme sem ficar irritado com as legendas. Não é como se ninguém tivesse reparado nos títulos, toda a gente goza com eles e os acha ridículos (até cómicos manhosos fazem segmentos sobre isso), e mesmo assim estas pessoas continuam a fazer igual. É como a brincadeira de agora só saírem filmes de animação dobrados nos cinemas (e em VOD), parece um convite à pirataria, em que podemos escolher só ter as legendas que quisermos, os filmes falados nas línguas que quisermos, sem termos de levar com a incompetência e má vontade dos outros, nem sermos tratados como estúpidos e ignorantes.

domingo, 15 de junho de 2014

Já tinha ouvido o Neal Brennan contar esta história no The Champs, mas é muito melhor quando é o Chappelle a contar:



Que delícia.

terça-feira, 6 de maio de 2014

Cascar nos mais fracos

Porque é que em Portugal é difícil perceber que o humor é suposto vir de baixo para cima e não de cima para baixo? Porque é que é difícil perceber que pessoas que não se acham racistas podem fazer coisas racistas e contribuir para o racismo geral? Porque é que se acha que não se pode ser racista quando não se acha que é racista e ponto final, a conversa acaba aí, para sempre? Porque é que se acha que a representação de grupos minoritários não é importante e fazer uma má representação deles não têm consequências negativas para a vida dessas pessoas? Porque é que se tem tanta falta de noção? Porque é que se acha sempre que o racismo está é em quem acha que há algum mal em pintar a cara de negro e fazer sotaques estereotipados e reduzir as pessoas à cor da pele e ao falarem "mal" português, ficando a soar menos inteligentes do que os outros que falam "bem"? Porque é que não se quer saber?

terça-feira, 22 de abril de 2014

Faz a coisa certa

Quando era miúdo, adorava o Herman Enciclopédia. Gravava e revia e era a melhor coisa do mundo, para mim. Muito daquilo ainda tem piada hoje, quando revejo. Sempre adorei o Herman José, desde que me lembro, e perguntava à minha mãe que curso é que ele tinha tirado porque queria ser como ele quando crescesse. É incontestável a enorme influência que aquilo teve sobre mim enquanto pessoa que adora comédia.
Por alguma razão, bloqueei isto da minha memória:



É de um episódio dedicado ao cinema. A ideia é mostrar como o Casablanca seria caso tivesse tido um realizador que não o Michael Curtiz, usando para isso outros nomes conhecidos. Começa com o Francis Ford Coppola, a transformar aquilo num filme de máfia, como se fosse Coppola fosse automaticamente sinónimo de máfia, e logo aí tem o José Pedro Gomes em blackface. Logo a seguir, vem o pior. É como seria o filme caso tivesse sido realizado pelo Spike Lee. É tenebroso e absolutamente repugnante.
Adoro o Spike Lee, vi vários filmes dele, e não consigo reconhecer, naquele sketch, um único segundo que seja que tenha minimamente a ver com os filmes dele. Toda a gente está em blackface, tirando uns poucos actores negros, e a falar sobre cachupa e com cabelos compridos. O nome dele é usado apenas para significar negritude. Mais nada. É essa a piada. Gostava de pensar que evoluímos muito como país desde então, mas não. Ainda se fazem coisas destas. É tão triste.
Para limpar o paladar, um episódio de Broad City (quando ainda era uma série web) que é uma homenagem (de duas brancas) ao Spike Lee. É possível que o orçamento tenha sido ainda menor do que o do Herman Enciclopédia, e é impressionante como, quando se vêem filmes de Spike Lee e não se confunde o nome dele com apenas uma cor, dá para homenagear e papaguear o estilo dele e fazer uma coisa boa:


Broad City- Do The Right Thing from Tim Bierbaum on Vimeo.

quinta-feira, 10 de abril de 2014

O Super Garanhão

Para recapitular, um filme de 2003 chamado The Hebrew Hammer, que é uma espécie de filme de blaxploitation sobre um herói judeu ortodoxo em que tudo remete para o judaísmo (e em que o Adam Goldberg diz a frase "shabbat shalom, motherfuckers!"), chegou a Portugal com o nome O Super Garanhão. Não é como se houvesse qualquer necessidade de mencionar a religião que transparece em cada segundo do filme, nem como se um nome super-genérico que tem pouco a ver com o conteúdo do filme (mas um bocadinho, afinal de contas, ele é um "Certified Circumcised Dick that’s a sex machine to all the chicks") fosse dar uma ideia errada do filme. Uma pessoa foi paga para dar este nome ao filme e, provavelmente, essa pessoa continua a ter emprego. Magnífico.